Memento Mori: Uma Profunda Reflexão Filosófica Para a Morte

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E se, em vez de encararmos a morte com terror e tormento, pudéssemos aceitá-la com naturalidade? E se, ainda, a consciência da morte nos ajudasse a viver melhor?

É exatamente nisso que os filósofos estóicos da antiguidade acreditavam. Até mesmo Platão, que viveu entre 428 a.C e 347 a.C, quando retratou a morte de Sócrates, já trazia a ideia de que talvez a vida seja “sobre nada além de estar morrendo e morrer”.

A expressão memento mori, que em tradução livre do latim para o português seria algo como “lembre-se de que vai morrer”, tem uma mensagem importante e profunda que nossa sociedade moderna tenta, a todo custo, se esquecer. 

Na Roma antiga, quando um militar de alta patente regressava vitorioso de suas batalhas, era comumente recebido em sua cidade natal com uma grande comemoração. Mas, enquanto as pessoas gritavam e lhe faziam elogios, um sacerdote o seguia segurando a coroa de louros sobre sua cabeça ao mesmo tempo que sussurrava em seu ouvido: “Respice post te! Hominem te esse memento! Memento mori!” (Olhe ao seu redor! Lembre-se que é um homem! Lembre-se da morte).

Se, naquela época o memento mori era um exercício para que os homens poderosos não deixassem que o ego os fizessem se sentir tão grandes quanto os deuses, nos dias de hoje essa lição de reconhecimento e humildade pode nos ajudar a ver a morte de uma forma menos sombria e dolorosa e mais natural e comum.

A maioria das sociedades modernas compartilha conceitos de culto à juventude e sempre busca seu prolongamento. Além disso, há uma cultura comum da felicidade plena e positivismo exagerado, que nos tira o foco de sentimentos que também são extremamente importantes e frequentes na experiência humana, como a tristeza, raiva, medo e o luto, que, aparentemente, deve ser evitado, encurtado e superado o mais rápido possível. 

O memento mori nos ajudar a iluminar o conceito de morte e lidar com sua presença mais conscientemente, principalmente quando precisamos nos despedir de entes queridos. Quando passamos por um cemitério e vemos coroas de flores e velas acesas, devemos refletir como a brevidade da vida deve ser aproveitada, assim como seu encerramento pode ser algo menos doloroso.

Como disse o filósofo Sêneca: “A maioria dos homens minguam e fluem em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer.”