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A terapia de luto é um tratamento psicológico ou psiquiátrico que ajuda o paciente enlutado a lidar com os seus sentimentos relacionados à perda de forma saudável.

Lidar com a perda de um ente querido é uma das maiores dores que vivenciamos ao longo das nossas vidas. E, infelizmente, nem todos conseguem lidar com esse sofrimento de maneira saudável. Nesses momentos, a terapia de luto é uma grande aliada.
Ela consiste em uma orientação específica para ajudar as pessoas com o luto patológico, ou seja, quando há um transtorno associado gerado pela perda, como ansiedade ou depressão.
Independentemente das circunstâncias, a terapia do luto permite ajudar a olhar para a morte de uma forma mais leve. Quer entender melhor? Continue a leitura!
O que é a terapia do luto?
A terapia ou aconselhamento do luto consiste em um número pré-estipulado de consultas com um psicólogo especializado na área. Nesses encontros, o profissional ajudará o enlutado a vivenciar todas as fases do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
Ao passar pela perda de alguém querido, é comum vivenciar muitos sentimentos “estranhos” e “complexos”, como angústia, alívio, raiva, culpa, ansiedade e desesperança. Parece que a vida nunca mais será a mesma sem a pessoa ao lado, e, de fato, haverá grandes mudanças.
A terapia oferece acolhimento e perspectiva de melhora tanto na vida emocional quanto prática.
Como funciona esse tipo de psicoterapia?
As sessões de terapia voltadas a lidar com o luto envolvem uma conversa com psicólogos que encorajam os pacientes a identificar, nomear e expressar seus sentimentos.
Cada estágio do luto é vivenciado de forma segura, com um profissional disponível para ajudar o paciente a aceitar a perda de forma saudável. Vale ressaltar que, embora o psicólogo possa estipular a quantidade de consultas necessárias para concluir a terapia, durante as sessões podem surgir outras demandas.
Sendo assim, a duração completa do tratamento psicológico varia de acordo com o quadro individual de quem está vivendo o luto.
Quais os benefícios de buscar apoio durante o luto?
O principal benefício da ação terapêutica durante o luto é conseguir superar a dor sem desenvolver outras questões psicológicas, aceitando a perda de uma maneira mais tranquila. Portanto, o objetivo central da terapia do luto é diminuir ou eliminar o sofrimento gradualmente.
Assim, com o processo, espera-se que o indivíduo consiga:
- expressar mais facilmente suas emoções e experiências em relação ao falecido;
- dialogar sobre as circunstâncias que levaram à morte (especialmente em casos de suicídio);
- superar problemas cotidianos e readaptar à vida cotidiana normal;
- lembra-se do falecido com ternura e sem tanto sofrimento pela perda;
- construir um futuro sem a pessoa e conseguir continuar com a sua vida, apesar da perda.
Lembrando que a terapia é um local seguro, onde o paciente pode expressar seus sentimentos livremente. Muitas vezes, por não conseguir colocar para fora o que está sentindo, a dor do luto permanece por mais tempo.
Por isso, é recomendado que o atendimento psicológico seja iniciado dentro de 6 meses após a perda.
Quando a terapia do luto é recomendada?
Não existe uma “receita” que funcione para todas as pessoas. Se você acredita que o luto está mais difícil de ser vivenciado do que o normal, poderá investir na terapia. Em muitos casos, contudo, quem nota o luto patológico são as pessoas próximas.
Um luto “saudável” costuma durar em torno de 6 meses – sendo que a partir desse período, já é possível começar a notar sinais de melhora. Se isso não ocorrer, o enlutado poderá estar desenvolvendo um luto patológico.
Mas é claro que esse tempo é uma estimativa. Quanto mais próxima for a pessoa falecida, maior o tempo de recuperação.
Alguns dos sinais que indicam a necessidade da terapia do luto são:
- dificuldades para compreender e superar a dor da perda;
- não saber exatamente como lidar com todas as emoções trazidas pelo luto;
- dificuldades de lidar com crianças enlutadas;
- o enlutado está desenvolvendo outros problemas, como crises de ansiedade, depressão, síndrome do pânico etc;
- sente a necessidade de conversar com alguém e de contar com um auxílio para enfrentar esse momento difícil.
Além disso, alguns casos são mais delicados e sem dúvidas demandam terapia, como situações de morte precoce ou repentina, morte com mais de uma pessoa próxima e morte violenta. São circunstâncias específicas, que pegam todos de surpresa e, por isso, podem gerar grandes traumas.
De toda forma, a terapia é recomendada a todos que sintam a necessidade de buscar o auxílio de um profissional qualificado, para conseguir seguir em frente.
Quais os tipos de terapia para luto?
Quando o assunto é luto, muitas pessoas ficam sem perspectiva e não sabem como agir após a morte de alguém especial, mesmo que queiram superar a perda. Nessas situações é essencial buscar por um psicólogo capacitado.
Os psicólogos costumam seguir uma linha de pesquisa específica dentro dos seus consultórios, mesmo que contem com a ajuda de outros conceitos. Pensando nisso, conhecer um pouco mais sobre cada abordagem possibilita encontrar o profissional ideal.
Confira a seguir quais os tipos de terapia para o luto.
Cognitivo comportamental
Para a terapia cognitivo-comportamental, as emoções disfuncionais são o resultado de pensamentos irracionais. O profissional que trabalha com essa abordagem tem o objetivo de mostrar ao paciente quais pensamentos negativos são automáticos e repetitivos.
Com isso, o indivíduo consegue reformular sua relação com o luto, buscar soluções para problemas e, assim, criar uma nova realidade.
Psicanálise
O luto é caracterizado pela perda do elo entre uma pessoa e um objeto. Isso quer dizer que se refere a qualquer perda, não somente a morte. Por isso, durante a finalização de um relacionamento a pessoa também pode passar pelas fases do luto.
Esse é um dos objetos de estudo da psicanálise, para compreender como o indivíduo encara a perda e consegue se reconstruir. Quando se trata do luto de alguém querido, a psicanálise vai ajudar a compreender questões mais profundas e, assim, possibilitar “insights” e soluções para seguir em frente.
Além de tudo, a terapia é um local para o acolhimento, então questões mais delicadas são abordadas com cuidado ao longo do desenvolvimento da relação entre o psicanalista e paciente.
Humanista
Para a psicologia humanista, a morte traz um conjunto de reações, sentimentos e sensações que podem fazer o enlutado compreendê-la como uma dor irreparável.
Se o luto é encarado como um processo natural, ou seja, pelo qual todos vão passar em algum momento, então é possível ressignificar a perda.
Terapias complementares
O luto é um período doloroso, sendo uma experiência diferente para cada pessoa, até mesmo no que se refere ao tempo de superação.
Mesmo quem já passou por outros períodos de luto, pode encontrar desafios para superá-lo. Principalmente quando se trata de pessoas muito próximas, como pais, irmãos e cônjuges.
Pensando nisso, as terapias complementares surgem como uma alternativa para auxiliar a aceitar a perda e voltar a ter vitalidade. Como o nome já diz, as terapias são complementares e não substituem o tratamento com um psicólogo.
O principal objetivo das terapias integrativas é impulsionar o autoconhecimento, para que, assim, o indivíduo possa se sentir completo novamente.
Quando o luto patológico é superado?
Em psicologia, não existem regras pré-determinadas sobre quando um tratamento deve ser iniciado ou finalizado. O paciente, em geral, dá sinais de que está conseguindo se recuperar da situação – e que já não precisa mais da terapia de luto.
Os indícios claros dessa melhora são:
- o apetite e o sono voltam ao normal;
- o enlutado consegue recobrar a expressão verbal dos sentimentos e as expressões afetivas (como abraçar os familiares ou dizer a eles sobre o que sente);
- o paciente se envolve em comportamentos gratificantes, por exemplo, retomando sua vida social e participando de outras atividades;
- a lembrança do falecido se integra como parte da história pessoal do enlutado sem desencadear sensações ou emoções negativas e nem tão intensas;
- o enlutado consegue desfrutar da vida cotidiana e passa a estabelecer metas futuras.
Neste conteúdo, você aprendeu que o luto é um processo normal quando perdemos alguém próximo – e passar por ele é importante para que possamos lidar com a morte. Contudo, algumas pessoas podem ter mais dificuldades e acabar desenvolvendo o luto patológico.
Nesse momento, a terapia de luto é fundamental, auxiliando no processo e na reconstrução da vida dos que ficaram. Quer dar mais um passo? Confira 6 livros para ajudar a lidar com o luto!